sexta-feira, 29 de agosto de 2008


4o. Motivo da rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Menina Paródia
por Alässe

E agora Maria?
José já se foi
O povo sumiu
A guerra ecoou
E fervor não há mais

E agora mulher?
A dor ainda grita
A criança ainda chora
E a névoa lá fora
Quer queimar quem ousar

E agora menina?
Que ninguém vai te ouvir
Nem que você grite
Nem que você gema
Nem que você chore
Pois o som já não importa!
A revolta adormece
A poeira adensa
E agora, Maria,
O céu só quer chorar.